
A medicina de Marília alcançou um novo patamar tecnológico na última quinta-feira (23). A Santa Casa de Misericórdia realizou, pela primeira vez na história da cidade, uma cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS, na sigla em inglês) para o tratamento da Doença de Parkinson. O procedimento, considerado um dos mais avançados da neurociência atual, promete transformar a vida de pacientes com limitações motoras severas. A técnica, popularmente conhecida como a implantação de um "marcapasso cerebral", consiste na inserção de eletrodos em áreas milimetricamente específicas do cérebro. Esses dispositivos são conectados a um gerador de impulsos que permite modular a atividade cerebral de forma precisa. O objetivo principal é o controle dos sintomas motores clássicos da doença, como: Tremores involuntários, Rigidez muscular e Lentidão dos movimentos (bradicinesia). O primeiro beneficiado pela técnica em Marília foi um homem de 43 anos. Com a progressão da doença, ele já apresentava dificuldades importantes no dia a dia. Segundo a equipe médica, a expectativa é de uma melhora expressiva na qualidade de vida e o resgate da autonomia nas atividades rotineiras. O procedimento marcou também a integração oficial deste serviço à oferta da Santa Casa de Marília. A operação foi liderada pelo neurocirurgião Gabriel Rissoli Ramos, mas contou com o suporte de dois dos maiores nomes da neurocirurgia funcional no mundo: os médicos Antônio de Salles e Alessandra Gorgulho, ambos professores da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). “O procedimento atende, principalmente, pacientes que já não apresentam resposta satisfatória ao tratamento medicamentoso”, explica o Dr. Gabriel Rissoli. Ele destaca que, embora o Parkinson não tenha cura, a tecnologia permite "reprogramar" os sinais elétricos cerebrais defeituosos que causam os tremores. Apesar de ser o foco desta primeira cirurgia, a Estimulação Cerebral Profunda possui um campo de atuação vasto. A técnica também é indicada para o tratamento de: Distonias (contrações musculares involuntárias), Tremores essenciais, Epilepsia e Transtornos mentais resistentes a tratamentos convencionais. Estima-se que a estimulação profunda seja uma alternativa moderna e eficaz para cerca de 30% dos pacientes com Parkinson. Com a consolidação desse serviço em Marília, a região se torna um polo de referência para casos complexos, evitando que pacientes precisem se deslocar para grandes capitais em busca de tecnologia de ponta.