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Desde 2017, a psicóloga Kimberli Medolago visita escolas públicas e projetos sociais com um desafio: falar de temas sensíveis, incluindo violência doméstica e prevenção ao abuso infantil, de uma maneira descontraída. A ideia é alertar para esses assuntos de uma maneira didática e evitar violências contra a criança, alertando sobre os sinais. Na prática, o projeto é feito por meio de diversos encontros nas escolas e, segundo Kimberli, os resultados aparecem durante e após os encontros. “As crianças prestam bastante atenção, fazem muitas perguntas e passam a identificar se foram abusadas ou não. As crianças sempre são receptivas. Eu sempre converso de uma forma descontraída e que eles consigam entender”, diz. A psicóloga já passou por escolas da rede pública, SESI e projetos que acolhem adolescentes em situação de vulnerabilidade, além de palestras realizadas a pedido de magistradas de Bauru e Barra Bonita. O projeto começou a ser estruturado durante o estágio dela na Delegacia da Mulher, no qual passou dois anos. Um trabalhando e outro para aprofundamento prático com delegadas e escrivães. Nas palestras sobre violência doméstica, o conteúdo aborda o ciclo da violência, os sinais e os direitos garantidos pela Justiça. Já o trabalho voltado ao abuso infantil é adaptado por faixa etária. “[…] Explico o que pode ou não pode ser mostrado no corpo e na internet, a perceber os sinais de abuso quando se sentirem desconfortáveis e sobre como podem procurar ajuda caso se identifiquem com algum abuso ou assédio”, detalha. A importância do tema, segundo a psicóloga, está no contexto em que muitos casos ocorrem. “É um desafio todos os dias em que encontro forças para ensinar, ajudar e orientar exatamente para que menos crianças no mundo sejam abusadas e traumatizadas. Isso me dá forças, é uma luta constante”, completa Kimberli.